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A indústria, um dos ramos da economia que mais emprega trabalhadores, passa por uma mudança estrutural. Máquinas e softwares sofisticados assumem o lugar dos operadores, desempenhando tarefas de forma mais produtiva e confiável. Estamos falando da indústria 4.0.

Esse processo de reposição da mão-de-obra por maquinários está na raiz do desenvolvimento industrial desde o século 18 e tem provocado mudanças estruturais no modo de produção.

Neste artigo, você vai entender como a chamada indústria 4.0 aprofunda essas transformações e quais as oportunidades que essa revolução proporciona.

Afinal, o que é indústria 4.0

Pode parecer apenas mais um termo da moda, mas existe uma fundamentação para nomear a atual fase de transformação do modelo de produção industrial — ou Quarta Revolução Industrial.

O conceito foi desenvolvido e apresentado na Feira de Hannover, referência em inovações tecnológicas para a indústria, em 2012. O governo alemão patrocinou a ideia para aliar novas tecnologias e desenvolvimento dos meios de produção, prospectando novos patamares de produtividade.

A base da indústria 4.0 são as tecnologias digitais. Com os recentes avanços tecnológicos — como inteligência artificial, Internet das Coisas (IoT) e Big Data — e o crescente poder de processamento dos computadores, as transformações tendem a acontecer a passos rápidos.

Algumas das tecnologias envolvidas são:

  • robótica avançada;

  • impressão 3D;

  • manufatura híbrida;

  • inteligência artificial;

  • manufatura híbrida;

  • sistemas de simulação virtual.

Não por acaso, uma das principais características da indústria 4.0 é a superação da fronteira entre real e virtual com o propósito de criar indústrias “inteligentes”.

Com isso, as empresas ganham mais capacidade de adaptação, eficiência na gestão dos recursos e integração dos setores e agentes envolvidos na produção. Estamos falando de um nível alto de competitividade nos negócios.

Nessa corrida, as indústrias brasileiras largaram bem atrás. De acordo com uma sondagem da Confederação Nacional da Indústria (CNI) junto a empresas de 24 setores, pelo menos 14 estão em situação vulnerável — ou seja, são pouco produtivas em relação à média internacional e têm baixa participação nas exportações.

A indústria 4.0 pode ser uma oportunidade para que empresas desses segmentos recuperem o tempo perdido. No entanto, é preciso inovar desde os processos, passando pela pesquisa e desenvolvimento, até o produto final.

O que caracteriza a indústria 4.0? Conheça abaixo os seis princípios dessa revolução e saiba como identificar oportunidades para o seu negócio.

Os 6 pilares da indústria 4.0

1. Interoperabilidade

Consiste na sincronia entre sistemas humanos e automatizados na execução das tarefas. A conexão e comunicação entre esses sistemas se dá pela internet.

2. Virtualização

Fábricas e negócios inteiros podem ganhar “cópias” virtuais, o que facilita a visualização dos processos, simulação de ações e monitoramento da cadeia produtiva.

3. Descentralização

As decisões passam a ser tomadas de forma mais descentralizada e menos dependente de uma cadeia de comando. Isso permite uma maior agilidade na resposta às mudanças nas forças competitivas, garantindo adaptabilidade e, em último grau, maiores chances de sobrevivência.

4. Capacidade em tempo real

Com a disponibilidade imediata de dados referentes ao negócio, a tomada de decisões deve ser instantânea e sem atraso em seus efeitos.

5. Arquitetura orientada a serviços

Nesse conceito de arquitetura de software, cada nova funcionalidade implementada deve ser oferecida na forma de serviços — em contraposição à oferta de produtos, foco da indústria no século 20.

Por exemplo, jogos de videogame são vendidos por meio de assinaturas recorrentes, e não de cartuchos ou CDs, e distribuídos via web. É a “Netflixização” dos negócios.

6. Modularidade

As fábricas inteligentes são capazes de se adaptarem às demandas por meio da expansão ou reposição de módulos individuais.

A modularização é uma técnica de desenvolvimento de software onde um programa é composto por partes distintas e com relativa independência, o que facilita sua leitura e manutenção.

Os 5 benefícios da indústria 4.0 para os negócios

1. Visão estratégica

Conhecer a própria empresa, enxergar todos os processos que a movem e ser capaz de conduzi-la a um patamar de liderança no mercado é a embição de qualquer empresário. O nome disso é visão estratégica.

Na indústria 4.0, torna-se mais prático reunir dados de forma inteligente para visualizar e antecipar tendências do mercado a partir de diversas variáveis.

É possível saber se, por exemplo, determinada variação do clima prevista para a próxima semana pode atingir a produção e distribuição de grãos. Ou seja, o empresário tem mais tempo para tomar decisões e implementar ações.

2. Integração entre humanos e robôs

Robotic Process Automation (RPA), tecnologia que se expande a uma velocidade exponencial, é a síntese de como a interação entre humanos e robôs pode gerar economia operacional para empresas de qualquer segmento.

Um robô opera tarefas baseadas em regras rígidas, mas é monitorado e programado por operadores humanos. Em processos desse tipo onde a RPA é implementada, o nível de produtividade e confiabilidade passa a ser incomparavelmente superior.

Com a inteligência artificial, esse tipo de solução ganhará cada vez mais espaço nos negócios e indústrias, dividindo suas atribuições com humanos.

3. Novos modelos de negócio

O impacto da indústria 4.0 também alcança as empresas com a criação de modelos de negócios disruptivos. Exemplos desses modelos, baseados em tecnologias de ponta, já foram responsáveis pela falência de modelos tradicionais e estabelecidos.

Nos próximos anos, a indústria deverá experimentar a chegada e expansão das inovações disruptivas. Vale a máxima: adapte-se ou morra.

4. Automação cognitiva

A adoção de sistemas automatizados baseados em inteligência artificial garantirá uma maior escalabilidade dos processos nas indústrias. A produção se encaixará com cada vez mais perfeição às demandas.

A exemplo da RPA, as soluções em automação passarão a se basear menos em códigos de programação e mais em aspectos cognitivos, simulando a inteligência humana.

5. Eficiência operacional

Todas essas melhorias garantirão máxima eficiência operacional das fábricas, se implementadas corretamente. Isso significa menores custos de produção, margens de lucro esticadas e vantagem competitiva.

A indústria 4.0 está cheia de oportunidades para empresas que se arriscam a inovar. A transformação do modelo produtivo já está se expandindo para indústrias tradicionais e outros segmentos, incluindo comércio e serviços. Você vai embarcar ou prefere esperar a concorrência dar o primeiro passo?

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